09 Março, 2010

Newton estava certo o tempo todo: toda ação provoca uma reação contrária e de mesma intensidade. ele obviamente não se referia aos sentimentos e comportamentos humanos, mas por isso mesmo sua teoria merecia seus créditos na física e fora dela.

era frustrante constatar que quanto mais investia em si mesmo e se dava o merecido valor, mais as pessoas ao seu redor pareciam querer estraçalhar-lhe as esperanças. precisava tapar os ouvidos e concentrar-se em seus métodos e objetivos para não ceder às expectativas alheias, sob o risco de voltar ao estágio infértil do qual havia se livrado a duros esforços.

a dificuldade de se fazer entendido era a única constante, talvez pelo esforço de assim intentar. a resposta para reduzir o dano seria simplesmente desistir do esforço, e perdurar. sabia mais do que ninguém - mais até do que as pessoas que o apoiavam - que era esguio o suficiente para mergulhar pelas bordas do universo em que quisesse, e dentro dele criar seu próprio ecossistema. não precisava dos extremos que propunham a ele: voltar a rastejar ou esperar pelo acaso. era apenas questão de dar seus passos certos e calculados.

descobrira que seus inúmeros impulsos cancerianos podiam - e deviam - ser tratados com um olhar analítico de um virginiano. seus sonhos haviam de se criar livres, seus golpes desfeririam-se metodicamente.

as leis da física colaborariam: apesar dos atritos, a aceleração.