01 Dezembro, 2009

chega essa época do ano e parece que o planeta está menstruado e grávido ao mesmo tempo. tudo fica melodramático e iluminado, as pessoas se maqueiam de bondade e leveza e compaixão. todos se lembram que são cristãos ou judeus, ou o que quer que sejam. talvez nem seja de todo falso, mas é o que parece se você comparar com toda a carne crua que vemos durante o resto do ano. a competição capitalista fica escondida atrás dos balcões das lojas entupidas de gente, todos comprando presentes e lembrancinhas para - em grande parte - pessoas que odeiam ou simplesmente ignoram por 364 dias por ano. é uma época triste para quem não tem por perto família, amigos ou os dois. todos fazem questão de declarar que ser sozinho é socialmente inaceitável.

e chegam nessa época, também, as mensagens boas e esperançosas, de que tudo de melhor aconteça a quem receber o cartão/e-mail/spam. é quase como um "deus te proteja de mim no ano que vem". não é que eu seja um pessimista, mas acredito que aqueles que estão realmente com você não têm necessidade de exacerbar isso tudo apenas agora. você já sabe disso e não são cartões com letras douradas que vão fazer muita diferença.

no entanto, vim escrever aqui apenas porque reparei algo interessante a respeito dessas mensagens. me deparei com um concurso de frases criativas - concorrendo a vários prêmios ótimos, e é claro que foi por eles que pensei em participar - sobre o natal. parei e tentei entender se o que queriam eram frases engraçadinhas com piadas leves, ou mensagens inspiradoras para as gerações mais novas, ou discursos fortes sobre a situação global e nacional, ou apenas citações a canções natalinas da década de 1960.

pensei, pensei, pensei e escrevi. e foi isso que saiu (e enviei):

"Este ano requer um cuidado especial no que diz respeito aos presentes. No geral, o que todos merecemos receber neste fim de ano - além de toda aquela carga de muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender - é uma boa dose de altruísmo. Não falo só a título de bondade e caridade, mas saber enxergar um ao outro a ponto de saber do que cada um necessita e ajudar de alguma forma essa conquista. De galhos quebrados no dia-a-dia à consciência ecológica que nos falta, merecemos ganhar a nós mesmos, mãos estendidas para dar e cobrar."

desculpem o texto meio absurdo, mas achei essa descarga toda meio interessante e ridícula, e acho que mesmo assim merecia um espaço por aqui.

1 Comments:

At 4:16 PM, Blogger Dario Duarte said...

"todos fazem questão de declarar que ser sozinho é socialmente inaceitável", isso é fato.

Natal é a data mais hipócrita que há. Tudo é puro teatro.

Altruísmo no povo, aê! o/

 

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