03 Outubro, 2009

parecia-lhe que o mal do mundo e a solução eram um só: a comunicação. ora um peixe pego pelo anzol, ora um recém-nascido alimentado no peito. a boca era a porta para tudo.

não lhe parecia mais tão absurda a idéia do silêncio, antes calado do que mal-interpretado. seu próprio som era agora uma ameaça. palavras eram farpas, fagulhas, pregos enferrujados. restava ainda a compaixão pelo ouvido próximo.

queria maneiras de um ferreiro, forjar todo aquele ferro retorcido até torná-lo inofensivo. quem sabe até belo. precisava de um mantra que o impedisse de disparar até que dominasse aquela arte. caso o gatilho lhe escapasse das coordenações, havia de saber mirar no vazio, evitando mais uma vítima.

não queria ser aquele atirador dormente em sua garganta.

2 Comments:

At 7:55 PM, Blogger Renata said...

ronaldo

 
At 12:28 AM, Blogger Pitango said...

Bruno! vim conhecer seu blog e ler seus pensamentos!
Abço
Pitango

www.tchubaduba.blogspot.com

 

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